Vale a pena participar do The Best Speaker Brasil? Minha experiência no TBS 2025
Nos últimos anos, a oratória saiu daquele cantinho confortável dos treinamentos corporativos e passou a ocupar um espaço muito mais sério no jogo profissional. Falar bem deixou de ser “um diferencial bonito” e virou uma vantagem competitiva concreta. Quem sabe se comunicar vende melhor, lidera melhor, ensina melhor, influencia melhor e, muitas vezes, passa a impressão de ser mais competente antes mesmo de provar que é.
Foi dentro desse cenário que o The Best Speaker Brasil ganhou força com uma promessa extremamente poderosa: encontrar o melhor palestrante do Brasil.
A promessa é boa. Comercialmente, é brilhante. Tecnicamente, é quase impossível.
Em 2025, decidi participar do TBS. Entrei por curiosidade, por respeito à iniciativa e também por vontade de entender o jogo por dentro. Depois de anos longe de qualquer competição, passei pelas primeiras fases e cheguei até a terceira etapa. Foi uma experiência interessante, útil e, em vários momentos, reveladora.
Minha conclusão é simples: sim, vale a pena participar do The Best Speaker Brasil. Mas talvez não pelos motivos que a maioria imagina.
O TBS vale a pena se você entender que está entrando em um reality show de palestrantes, não em um laboratório científico de avaliação da comunicação humana. Vale a pena se você souber jogar o jogo sem confundir palco com sentença divina. Vale a pena se você usar a experiência para crescer, se expor, criar relações, testar sua comunicação e entender melhor o mercado.
Agora, se você entrar acreditando que o programa é uma máquina objetiva, neutra e infalível para descobrir “o melhor palestrante do Brasil”, a frustração vem rápido.
Porque não é. E nem teria como ser.
Não existe “o melhor palestrante do Brasil”
Vamos começar pelo ponto mais óbvio, que muita gente evita dizer para não parecer desagradável: não existe a menor possibilidade de um reality show identificar, de forma objetiva, o melhor palestrante do Brasil.
E isso não é uma ofensa ao TBS. É apenas uma constatação adulta.
O Brasil tem milhares de comunicadores excelentes. Professores, palestrantes, treinadores, advogados, médicos, empresários, vendedores, líderes religiosos, comunicadores populares, especialistas técnicos, artistas, políticos, educadores e pessoas anônimas que, em seus contextos, comunicam com uma força absurda.
Tentar encontrar “o melhor palestrante do Brasil” em vídeos curtos, fases eliminatórias e apresentações de poucos minutos é tão improvável quanto tentar descobrir o melhor médico do país por uma consulta de sete minutos, a melhor professora por uma aula demonstrativa ou o melhor advogado por uma sustentação oral gravada.
Não dá.
O que dá para fazer é outra coisa: criar uma competição interessante, selecionar bons personagens, gerar visibilidade, construir narrativa, revelar talentos e transformar oratória em entretenimento. E nisso o TBS acerta muito mais do que erra.
O problema não está no campeonato existir. Pelo contrário. O problema está em levar a promessa ao pé da letra.
O TBS não é uma ONG da oratória. E tudo bem.
Outro ponto que precisa ser dito com clareza: o The Best Speaker Brasil não é uma organização filantrópica criada apenas para desenvolver a comunicação nacional. Ele é um produto. Um projeto de marca. Uma iniciativa comercial. Um reality show produzido por uma empresa que atua no mercado de palestras, treinamentos, mentorias, posicionamento e desenvolvimento de palestrantes.
E quer saber? Tudo bem.
Não há nada de errado em uma empresa criar um campeonato, vender uma experiência, atrair audiência, gerar autoridade, formar comunidade e, no processo, vender seus próprios produtos. Isso acontece em praticamente todos os mercados maduros. Empresas criam eventos, festivais, prêmios, rankings, reality shows, certificações, imersões e competições para fortalecer marca e gerar receita.
O ponto não é condenar isso. O ponto é não ser ingênuo.
Existe uma diferença enorme entre uma iniciativa como o Toastmasters International, que se apresenta como uma organização educacional sem fins lucrativos voltada ao desenvolvimento da comunicação e liderança, e um reality privado com estratégia comercial, funil de vendas e produtos associados. O próprio Toastmasters organiza o World Championship of Public Speaking, com etapas em clubes, áreas, divisões, distritos, quartas de final, semifinal e final. É outro modelo, outra lógica e outra natureza institucional.
O TBS está muito mais próximo de uma lógica de mercado, entretenimento e posicionamento de marca. A página oficial do projeto apresenta números como vagas, classificados, finalistas, reality show e R$ 1 milhão em prêmios. É uma embalagem competitiva, midiática e comercialmente muito bem construída.
E dentro desse ecossistema também existe a oferta de produtos da Profissionais SA, como o The Best Weekend, uma imersão voltada para palestrantes, executivos e profissionais que querem estruturar melhor sua atuação no mercado de palestras.
Isso torna o TBS ruim? Não.
Torna o TBS mais honesto quando você entende o que ele é: uma empresa produzindo um campeonato com foco em visibilidade, autoridade, comunidade, vendas e resultado. Não uma entidade neutra pairando acima do mercado para distribuir justiça técnica aos comunicadores brasileiros.
E, sinceramente, quando você entende isso, tudo fica mais fácil de interpretar.
A primeira fase: eu provavelmente me esforcei mais do que precisava
Na primeira fase, havia uma combinação entre votação popular e avaliação técnica da equipe. Mobilizei votos, pedi apoio, envolvi pessoas próximas e consegui minha classificação entre os aprovados.
Aqui veio minha primeira surpresa: em algumas regiões, a quantidade de votos necessária para avançar parecia menor do que eu imaginava. Eu entrei no modo campanha como se estivesse disputando um paredão nacional do Big Brother. Depois percebi que talvez tivesse usado um canhão para matar uma formiga.
Não me arrependo de ter passado, obviamente. Mas me arrependi um pouco da energia investida na votação. Dediquei uma semana inteira a algo que, olhando depois, talvez exigisse muito menos esforço estratégico.
E esse é um primeiro aprendizado importante para quem pretende participar: entenda o tamanho real da fase antes de gastar energia como se estivesse em uma eleição presidencial.
Competição também exige leitura de cenário.
O nível técnico dos participantes
Quando os classificados foram divulgados, uma percepção ficou bastante clara para qualquer pessoa que trabalha com comunicação há algum tempo: a média técnica geral ainda era inicial.
Isso não significa que não havia talento. Havia. E bastante.
Mas talento bruto não é a mesma coisa que oratória bem construída.
Muitos participantes demonstravam carisma, boas histórias, vontade, coragem e presença emocional. Mas ainda apareciam dificuldades bem básicas de estrutura, abertura, ritmo, pausa, domínio vocal, uso do corpo, organização de ideias e construção de impacto.
E aqui entra uma das partes mais interessantes do TBS: ele revela muito mais o desejo das pessoas de falar do que necessariamente a maturidade técnica delas como palestrantes.
Isso não é demérito. Pelo contrário. Todo mercado começa assim. Primeiro vem a vontade, depois vem a técnica. Primeiro vem a exposição, depois vem o refinamento. O erro seria assistir ao programa esperando encontrar, em todas as fases, uma elite técnica da comunicação brasileira.
Não era isso.
Havia bons nomes? Sim. Havia gente promissora? Sim. Havia participantes com potencial real de mercado? Também.
Mas havia também muita gente ainda no começo da jornada, e isso precisa ser dito sem crueldade e sem romantização.
Reality show não escolhe apenas técnica
Uma das grandes ilusões em qualquer competição transmitida ao público é imaginar que os escolhidos são sempre “os melhores” em sentido absoluto. Isso raramente acontece.
Reality show não seleciona apenas competência. Seleciona narrativa.
O MasterChef Brasil não é apenas sobre quem cozinha melhor. O The Voice Brasil não é apenas sobre quem tem a melhor voz. O Shark Tank Brasil não é apenas sobre quem tem o melhor negócio. Realities de culinária, música, empreendedorismo, moda, dança ou talentos não vivem apenas de técnica. Eles vivem de história, contraste, emoção, diversidade, identificação, tensão e personagens.
O público não se conecta apenas com excelência. O público se conecta com trajetória.
E o TBS não foge dessa lógica.
Um participante tecnicamente bom, mas sem história, sem contraste, sem energia, sem narrativa e sem apelo audiovisual pode ser menos interessante para o formato do que alguém ainda tecnicamente irregular, mas com uma história forte, uma presença marcante e uma curva de evolução mais atraente.
Isso irrita quem olha apenas pela lente técnica. Mas faz sentido quando você entende a lógica do entretenimento.
O TBS precisa funcionar como competição, mas também como conteúdo. Precisa revelar talentos, mas também manter atenção. Precisa ter técnica, mas também precisa gerar episódio. E episódio não nasce apenas de nota. Nasce de tensão, identificação, expectativa e personagem.
É aqui que muita gente se perde.
A pessoa entra achando que está em uma olimpíada da oratória e descobre, no meio do caminho, que também está em um produto audiovisual.
Os semifinalistas eram realmente os melhores?
Provavelmente não. Ou melhor: alguns provavelmente estavam entre os melhores. Outros talvez não.
E isso não deveria causar escândalo em ninguém.
Em competições com critérios subjetivos, os resultados sempre geram discussão. Sempre haverá alguém dizendo que fulano passou porque tinha mais carisma, que ciclano foi injustiçado, que beltrano tinha mais técnica, que outro tinha mais história, que alguém foi beneficiado pela edição, pela relação com a marca ou pelo perfil mais vendável.
Isso acontece em campeonato de oratória, em festival de música, em concurso de dança, em prêmio literário, em reality culinário e até em premiação de cinema. A diferença é que, quando o assunto é comunicação, todo mundo se acha jurado.
E, de certa forma, todo mundo é mesmo.
Porque comunicação é percebida antes de ser medida.
Você pode criar critérios, planilhas, notas e pesos. Deve criar, inclusive. Mas sempre haverá uma parte da avaliação que passa pelo impacto subjetivo: a sensação de presença, a força da mensagem, a conexão com o público, a maturidade emocional e o famoso “algo a mais” que ninguém sabe explicar muito bem, mas todo mundo percebe quando aparece.
Por isso, discutir se os 20 semifinalistas eram exatamente os 20 melhores talvez seja uma pergunta menos útil do que parece.
A pergunta melhor seria: eles faziam sentido para o formato?
Em muitos casos, sim.
O caso dos participantes “da casa”
Durante o processo, surgiram comentários em grupos não oficiais sobre participantes que já tinham relação anterior com a empresa organizadora. A crítica vinha mais ou menos assim: “passou porque já era da casa”.
Eu entendo a crítica.
Mas também acho que ela precisa ser analisada com um pouco mais de inteligência e um pouco menos de espuma na boca.
Se um aluno ou alguém próximo da empresa passa, as pessoas dizem que foi favorecido. Se não passa, outras pessoas dizem que nem a própria metodologia da empresa consegue formar bons comunicadores. Ou seja, qualquer resultado vira munição para alguma crítica.
Isso não significa que a relação prévia não influencie percepção. Claro que pode influenciar. Ser conhecido, ter histórico, ter boa postura, circular no ambiente certo e construir relação com a marca pode ajudar. Não necessariamente como privilégio direto, mas como reputação.
E reputação pesa.
No mundo real, pesa também.
O palestrante que se relaciona melhor com o mercado tem mais oportunidades. O profissional que circula, aparece, entrega, conversa e cria confiança costuma ser mais lembrado. Isso não é exatamente injustiça. É mercado.
O ponto é não fingir que tudo acontece em uma bolha esterilizada, onde ninguém conhece ninguém, ninguém tem impressão prévia sobre ninguém e todos são avaliados como se tivessem nascido no momento em que apertaram o play do vídeo.
Isso não existe.
O prêmio de 1 milhão: cuidado com a manchete
Um dos grandes atrativos do TBS é o prêmio divulgado como sendo de R$ 1 milhão. E aqui vale uma observação importante: quando alguém lê “prêmio de 1 milhão”, a imagem mental imediata é um cheque gigante, uma chuva de confete e um Pix milionário caindo na conta.
Mas a realidade costuma ser mais sofisticada do que a chamada publicitária.
Pelo que foi divulgado e discutido ao longo do processo, o prêmio envolve dinheiro, consultorias, mentorias e contrapartidas. E aí a análise precisa ser mais madura.
Consultoria pode valer muito? Pode. Mentoria pode abrir portas? Pode. Posicionamento pode acelerar uma carreira? Pode. Estar associado a uma marca forte pode gerar oportunidades? Pode.
Mas também é verdade que nem todo valor declarado em prêmio equivale a dinheiro líquido no bolso. Existe diferença entre receber capital, receber serviço, receber exposição e assumir compromissos futuros.
Isso não torna o prêmio ruim. Apenas exige que o participante leia tudo com atenção e entenda a natureza real da premiação.
Aliás, esse é um ponto que deveria ser óbvio para qualquer adulto entrando em competição com premiação relevante: leia regulamento, entenda obrigações, entenda contrapartidas, entenda uso de imagem, entenda prazos e entenda exatamente o que você está aceitando.
Empolgação não substitui leitura.
A final tende a ser a fase mais justa
Apesar das críticas, existe um ponto positivo importante: a final ao vivo tende a ser a etapa mais interessante e mais justa do formato.
Quando o participante sobe ao palco diante de jurados e audiência, muita coisa fica mais clara. A comunicação deixa de ser apenas um vídeo editado, uma votação ou uma percepção parcial. Ali aparecem presença, domínio emocional, estrutura, clareza, energia, conexão, repertório e capacidade real de sustentar uma mensagem.
Ainda existe subjetividade? Óbvio.
Sempre vai existir.
Mas é no palco que a oratória mostra sua verdade com menos maquiagem. Você pode ter uma boa história, uma boa edição, uma boa rede de apoio e um bom posicionamento. Mas, quando está diante do público, precisa sustentar a entrega.
E esse é o teste que realmente importa para quem quer ser palestrante.
Então o TBS é bom ou ruim?
É aqui que muita gente espera uma resposta simplista. Mas a vida adulta é um pouco mais trabalhosa.
O TBS é bom no que se propõe a fazer quando entendido corretamente.
Ele dá visibilidade para a oratória. Movimenta o mercado. Cria conversa. Estimula pessoas a treinarem. Revela talentos. Gera networking. Coloca gente comum diante de um desafio grande. Produz entretenimento em torno de uma habilidade que, por muito tempo, ficou presa em sala de treinamento, palestra corporativa e evento fechado.
Isso tem valor.
Muito valor.
O Brasil precisa falar mais sobre comunicação. Precisa formar melhores oradores. Precisa valorizar quem sabe estruturar uma ideia, defender um ponto, emocionar com responsabilidade e influenciar sem manipular. Nesse sentido, o TBS presta um serviço importante ao mercado.
Mas, ao mesmo tempo, é preciso olhar sem idolatria.
O TBS não é uma régua absoluta de competência. Não é uma sentença sobre quem presta e quem não presta. Não é o selo definitivo de melhor palestrante do país. Não é uma entidade neutra e desinteressada. Não é apenas um campeonato técnico.
É um reality privado, comercial, midiático, com componente técnico real, estratégia de marca, narrativa de entretenimento e interesse de mercado.
Quando você entende isso, para de se revoltar com o jogo e começa a jogar melhor.
Vale a pena participar?
Sim, vale.
Mas participe com maturidade.
Participe para se testar. Para ganhar palco. Para ser visto. Para conhecer pessoas. Para entender o mercado. Para melhorar sua comunicação sob pressão. Para aprender como uma grande marca estrutura narrativa, desejo, competição e venda em torno da oratória.
Só não participe terceirizando sua autoestima para o resultado.
Porque o melhor técnico nem sempre passa. O mais preparado nem sempre vence. O mais carismático às vezes avança. O mais vendável pode ter vantagem. O mais alinhado ao formato pode performar melhor. E, gostemos ou não, isso não acontece só no TBS.
A vida profissional funciona assim o tempo todo.
Tem gente excelente que não sabe se posicionar. Tem gente mediana que sabe aparecer. Tem gente brilhante que ninguém conhece. Tem gente comum que domina a narrativa. O mercado raramente premia apenas qualidade técnica. Ele premia percepção de valor.
E comunicação é, em grande parte, percepção.
Minha conclusão honesta sobre o The Best Speaker Brasil
Se você entrar no TBS esperando uma competição pura, científica, imparcial e matematicamente precisa para descobrir o melhor palestrante do Brasil, provavelmente vai se frustrar.
Mas se entrar sabendo que está diante de um reality show de oratória, com técnica, entretenimento, marca, vendas, narrativa e mercado misturados no mesmo palco, a experiência pode ser extremamente valiosa.
O TBS não precisa ser perfeito para ser importante.
E talvez essa seja a leitura mais justa.
Ele exagera na promessa? Sim.
Ele transforma a oratória em produto? Sim.
Ele opera dentro de uma lógica comercial? Evidentemente.
Mas também coloca a comunicação no centro da conversa nacional, estimula pessoas a treinarem, abre portas, cria vitrine e ajuda a popularizar uma habilidade que ainda é muito negligenciada no Brasil.
Dá para criticar o TBS e, ao mesmo tempo, reconhecer seu valor.
Na verdade, é exatamente isso que deveríamos fazer com qualquer projeto grande: nem idolatrar, nem destruir. Analisar.
Eu participei, aprendi, avancei até onde avancei e saí com uma percepção mais clara do jogo.
Minha recomendação para quem pretende participar é simples: treine muito, leia o regulamento, entenda o formato, cuide da sua narrativa, construa relacionamento, não seja ingênuo e não confunda aprovação com identidade.
Ganhar um reality pode abrir portas.
Mas perder também pode ensinar muito.
No fim, mais importante do que ser chamado de “o melhor palestrante do Brasil” é se tornar alguém que, quando abre a boca, merece ser ouvido.
Quer desenvolver sua oratória antes de competir?
Antes de buscar palcos nacionais, desenvolva base técnica sólida.
Na Bespeak Escola de Oratória, trabalhamos os pilares que separam comunicadores comuns de comunicadores memoráveis: presença, clareza, estrutura, persuasão e comunicação não verbal.
Porque, no fim, mais importante do que ganhar um reality é construir uma comunicação forte o suficiente para não depender de um reality.

